Palavras primeiras de um caminho caminhado

Palavras primeiras de um caminho caminhado

Os primeiros movimentos da disciplina começaram antes, bem antes. Talvez em 2009, quem sabe antes ainda. Difícil precisar. Mas o início óbvio deste percurso começa nas primeiras conversas sobre a eleição do centro acadêmico. Que frequentemente eram esvaziadas, com poucos votantes, uma chapa e raros interessados no resultado. O caminho que se repetia era a eleição pra compor tabela. O pleito era quase “simbólico”. Interessava como argumento de legitimidade para aqueles que compunham a chapa.

A muitas eleições o centro acadêmico era disputado por uma representação estudantil, ou sem representação estudantil. Não havia projetos diferentes, nem oposição. Muitas vezes  até mesmo a posição se esvaía em si mesma. Em meio a muitos outros pontos, sobre participação, representação, ocupação de espaços, representatividade e relevância do espaço do centro acadêmico a autogestão foi ganhando corpo como forma de atuação.

Havia muitas dúvidas, mas a aposta foi pela autogestão, no entanto ela precisava ser  posta em prática. A questão era de agora saber precisar o que seria uma autogestão.

Um segundo ponto foi uma conversa, ainda preliminar sobre uma disciplina também compartilhada com os estudantes para que a experiência de “ministrar” uma disciplina fosse também conhecida pelos alunos. Desde os meandros da ementa, de bibliografia, de programas, planejamento e também a experiência de estar em sala de aula em outro papel. Assim teríamos uma disciplina com um tema a ser escolhido, mas também a experiência didática seria um foco da disciplina. Esta ideia era ainda embrionária, ainda não era possível precisá-la.

Outro encontro foi a disciplina sobre análise institucional ministrada pelo professor Francisco Portugal. Esta era uma demanda importante para alguns alunos que se interessavam por análise institucional, mas que não possuíam um bom referencial teórico sistematizado sobre o tema. Dentro desta perspectiva a autogestão é fundamental. E deixar certos conceitos apenas no campo teórico diminui qualquer teoria. Com os ruídos, os choques, as controvérsias de duas aulas discutindo autogestão e assim as linhas foram se cruzando.

O Centro Acadêmico com frequentes questões com a autogestão, as experiências da greve, o contato com outros C.As. e movimentos autogestionários, outras bibliografias e grupos de estudo eram os cacos, era o que sobrava, faltava construir o mosaico.

A proposta deste curso surge um pouco com este cenário. Faltava ainda que os professores fossem convidados. Neste momento já havia uma certa angústia de ser muita ambição para confrontar-se com a burocracia da universidade. Não sabíamos se algum professor ia querer fazer parte deste projeto, que era ainda incerto até para nós. Fomos então aos convites chegando aos nomes a partir das afinidades, dos encontros, das possibilidades de dedicar tempo a um projeto incerto e daqueles que achávamos que poderiam aceitar esta proposta ainda meio turva. Para a nossa surpresa a resposta foi super positiva, todos os professores que falamos gostaram da proposta, alguns acabaram não conseguindo fazer parte. Ao longo deste processo ficou também cada vez mais claro a importância de que o curso fosse composto por vários professores uma vez que juntos teríamos possibilidades de rachar as duras barreiras que a burocracia universitária nos coloca.

Primeiros encontros, primeiros passos

A primeira reunião aconteceu um pouco às pressas, por causa do pragmatismo galopante que nos impunha a burocracia. Isto já era a prática da disciplina. Uma vez que sua ideia é compor da forma mais horizontal possível toda a disciplina e decidirmos juntos como lidar com tudo que é necessário para a construção e execução de um curso. Desde a ementa, passando por que textos e como serão as dinâmicas das aulas e até pela avaliação. Pudemos estar presentes dois professores e cinco estudantes. Bruno Foureaux, João Batista, William Penna (Will), Thiago Colmenero (Papéu) Francisco Portugal e eu.  Até então eram os professores que conseguimos falar e nos alertaram sobre o curtíssimo prazo de inscrição de uma disciplina. E estes eram os alunos que puderam estar presentes de um número de dez, talvez doze que já faziam parte desta inciativa. Esta reunião ocorreu na quarta feira 22 de maio, basicamente para acertar as primeiras intenções sobre o curso, começando seu percurso construindo algo comum. Um primeiro encontro pra dar conta da burocracia e da troca de olhares, das primeiras palavras. Após algumas primeiras tarefas definidas fomos mais incisivos aos convites. Divulgamos mais a ideia, falamos com mais estudantes, mais professores, estudantes da pós graduação inclusive. Trocamos alguns e-mails, marcamos uma segunda reunião.

A segunda reunião ocorreu depois em uma terça feira. Sobre ela especificamente existirão outros relatos. Este texto se encerra aqui com a certeza de que a experiência deste curso já está nova, instigante e já apresenta as dificuldades de com-partilhar, de compor-com um horizonte comum. E agora aqueles que passarem a fazer parte deste processo já terão a oportunidade de entender um pouco do caminho que vem sendo caminhado.

Tony (Antonio Costa)

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