Diários de ressonância – Júlia Robaina

Diário de ressonâncias – Júlia Robaina

Por conhecer algumas pessoas que participaram do processo de construção da disciplina, eu soube desse projeto e pude entrar como inscrição direta. Interessei-me pela disciplina por ela ser sobre autogestão e pretender funcionar de forma autogestionada, e também pelos temas que seriam abordados ao longo do curso.

Não considero que me dediquei como poderia e gostaria a essa disciplina. Acabei colocando compromissos pessoais como prioridade. Isso aconteceu não só com a matéria de Autogestão.

Considero a ideia desse curso como uma iniciativa única no Instituto de Psicologia, visto que as outras disciplinas funcionam de acordo com um modelo habitual e vertical, em que o aluno não participa do processo, do caminho. Para mim, houve falhas, o que está longe de dizer que foi um fracasso. Ao contrário, as falhas apontaram para novos caminhos e reflexões.

Em algumas aulas que estive presente presenciei discussões que me faziam sentir desmotivada e fatigada, pois as falas me pareciam repetidas, pronunciadas sem reflexão. Aí entra uma falha minha, porque eu não estava implicada o suficiente para expressar o que sentia e pensava, o que talvez pudesse colaborar para o surgimento de outras formas de discussão ou qualquer outra alternativa que surgisse em conjunto com os demais alunos.

Acho que muitas pessoas pretenderam fazer um curso que criasse uma forma outra de existir, de funcionar. Mas penso que algumas não conseguiram, talvez quando se prenderam a um formato pensado antes do primeiro dia de aula.

Apesar de ter causado um desconforto em alguns no momento de sua fala provocadora, notei que o curso ficou mais leve quando um aluno levantou a questão da importância da arte, além de ter feito outras críticas. Talvez isso tenha causado alguma tensão, mas uma tensão que permitiu uma reflexão mais honesta sobre o curso que se queria construir.

Gostei muito de algumas aulas práticas que tivemos, como a visita da Lurdinha, da Ocupação Manoel Congo. Nessa aula ela contou como a ocupação funcionava, suas lutas, algumas situações por quais passaram. E ela repetiu uma frase que ficou em minha cabeça: “eu quero botar fogo no Estado”. Não preciso dizer que achei a Lurdinha uma pessoa muito sábia, ainda mais em tempos de manifestação e repressão policial. Também gostei da visita do Pedro, da Universidade Nômade. Interessei-me pelas lutas desse coletivo, mas também da forma como ele abordou outros assuntos, como o marxismo. Os filmes escolhidos também foram ótimos.

Portanto, considero que ter passado por essa experiência foi proveitosa.

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